O Último Combate de Vilsa II (O Lutador)
O jogador levanta-se da cama. Passou as últimas seis horas a preparar os pormenores do combate. Se vencer, ficará qualificado para a final a quatro. Não sai de casa desde que começou a competição. Por cima da sua porta, um painel luminoso indica que ainda está em jogo. Ao lado deste painel, pisca uma luz vermelha. Este borbulhar de contorno vibrante é um grito que avisa quem o observa: nesta casa, vive alguém que está offline. De contrário, o pulsar lançaria um murmúrio constante, em tons de verde tranquilizador. Sim, este guerreiro precisa de descansar e de um banho. O alarme de limpeza já o alertou para a existência de odores impróprios. Mesmo com uma autorização especial, não deve abusar. Ainda terá de se ligar à rede corporativa se quiser receber a sua dose diária de substâncias nutricionais. Só depois desta tarefa obrigatória poderá dormir. Terá de aproveitar as seis horas de sono que lhe foram concedidas.
A arena apresenta agora um ar tranquilo. Com areia limpa e
penteada, está novamente pronta para os combates. Lá fora, ouvem-se sons de um
quotidiano antigo. Anoiteceu, e as lanternas de azeite começam a acender-se nas
ruas que circundam a arena. Este bairro nunca dorme. Na zona das tabernas, o ar
rançoso convida ao consumo de gorduras e de álcool. É nas tabernas que podemos
encontrar os vencedores e os seus apoiantes. Fora da arena, apenas os seus
adeptos podem confrontar-se. A corporação tolera estas escaramuças, desde que
não sejam utilizados instrumentos de morte imediata. Estas são as regras para
esta época.
O homem dorme profundamente. A
cidade, lá fora, permanece escura e silenciosa. Apenas nos bairros corporativos
se nota alguma azáfama. Estas são ilhas de luz no meio do negrume noturno. Num
deles, destaca-se uma imponente torre espelhada, que espalha fragmentos de luz
em diversas direções. No seu interior, um homem não dorme. Está sentado a uma
velha secretária de mogno envernizado, em excelente estado de conservação. À
sua frente, encontra-se aberto o que parece ser um mapa-mundo de contornos
indecifráveis. Da sua boca sai uma ladainha quase impercetível. Por detrás
dele, dois triângulos embaraçados simulam um estranho brasão.
Comentários
Enviar um comentário