O Último Combate de Vilsa V (Memórias)
Deitado na cama, Vilsa tenta recordar os pais. Leva a mão debaixo do colchão regenerador e retira de lá uma pequena fotografia. Nela, encontra-se entre dois jovens adultos. Vem-lhe à recordação a última vez que viu o mar. Não chegou a aprender a nadar; o evento tecnológico tirou-lhe a família antes que isso pudesse acontecer. Mas a imagem daquela imensidão azul nunca desapareceu da sua memória. Nos dias mais difíceis, imaginava-se num extenso areal, construindo figuras na areia húmida. Era sempre a mãe que brincava com ele e lhe dava atenção. O pai estava sempre ocupado, com um ecrã à frente dos olhos. Recorda os olhos castanhos da mãe, assim como o seu cheiro. Lembra-se das noites abrigado no seu corpo, da sua voz meiga e reconciliadora, dos dedos longos, de pele macia, que lhe acariciavam os caracóis do cabelo, que a idade lhe roubou — a idade e o pente dois a que se obrigou. Já do pai pouco se lembra e, se não fosse aquela velha fotografia, tê-lo-ia esquecido completamente, ou ...