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O Relojoeiro III

 Nota: parceria entre o autor e a IA Marcelino ficou imóvel diante do portão entreaberto, escutando. Da janela do andar de cima vinha mais do que o atraso de um relógio: vinha uma desordem miúda, insistente, como se os segundos ali dentro tropeçassem uns nos outros antes de cair. Levou a mão ao bolso do casaco e sentiu, sob os dedos, a corrente de prata estremecer como um nervo vivo. Erguer os olhos para o céu foi um gesto antigo, quase involuntário. As nuvens passavam baixas, espessas, deixando entre si apenas breves clareiras onde as estrelas surgiam e desapareciam com a impaciência de quem não deseja ser vista. Marcelino não precisou de pensar muito para compreender que chegara tarde demais para uma simples avaliação. Havia casas onde o tempo adoecia devagar; naquela, porém, alguma coisa começara já a desfazer-se. O tremor subiu-lhe pelas pernas sem aviso, obrigando-o a apoiar-se ao poste mais próximo. À luz baça do candeeiro, o seu rosto pareceu subitamente mais velho, como se ...

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