Um lugar por visitar
A linha do horizonte une dois planos. O que se estende diante de mim é aquoso. O outro cobre um espaço acima e morre onde o primeiro termina. Eu gosto de me imaginar viajante. Descobridor de linhas impossíveis, navego urgências sem resolução. Assinalo, nas cartas marítimas, as improbidades de regresso. Por aí me deixo ficar até que a saudade se lembre de mim. Das minhas viagens ficam sempre lugares por visitar. Não consigo articular o seu nome, nem gravar a ilusão da sua existência. Eles escondem-se por detrás daquela linha divisória. O seu momento não depende de mim, mas só ganha expressão com a minha ausência. Nos meus regressos trago relatos do que poderia ter encontrado. Sentado numa cadeira abstrata, derramo os meus braços moles no tampo de uma mesa casual. A folha absorve contornos semelhantes a letras de um alfabeto desconhecido. Por lá se desdobram relatos que não devem ser lidos. Tombo a cabeça sobre o ombro e, dos ouvidos, caem sons de paragens longínquas. Cascatas vertem...