O Último Combate de Vilsa XIV (Mãe e Filha)
A Mãe Suprema aguarda pela chegada de Isval com o semblante carregado. Espera por uma explicação, uma justificação que lhe permita perdoar a sua filha. À porta, uma funcionária anuncia a presença de Isval. A Mãe Suprema dá o seu aval com um aceno impaciente. Isval entra na sala e senta-se sem esperar autorização. A Mãe Suprema esboça um sorriso de resignação:
— Sempre educada, esta minha filha.
Isval sorriu para a mãe e perguntou:
— Bom dia, mãe. Posso sentar-me?
— Não sejas condescendente com a
tua mãe.
— Sou filha da Mãe Suprema, é o único privilégio de que
usufruo. Isso e um hospital de bonecas.
Perante o rumo da conversa, a Mãe Suprema decide ir direta
ao assunto.
— Não te resgatei para discutir contigo. Espero uma explicação
para o que aconteceu e espero que sejas convincente.
Isval modificou a sua postura arrogante e perguntou:
— Posso falar?
A Mãe Suprema respondeu-lhe com um olhar de aprovação e Isval
continuou:
— Conheci o meu irmão.
Sem deixar a mãe interromper, Isval lançou um nome:
— É Vilsa, o lutador derrotado.
A Mãe Suprema sentiu um aperto no peito e vacilou na cadeira.
Por breves instantes, sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés, mas logo se
recompôs. Olhou para a filha com gravidade e exigiu-lhe que continuasse.
Durante a meia hora seguinte, Isval explicou que só tinha
descoberto durante o combate quando, por acaso, olhou para a nuca do avatar de
Vilsa e reparou no triângulo. Quem levaria um pormenor desses se não o tivesse
na vida real? O triângulo era um símbolo que distinguia os membros da sua
família, e só havia quatro. Na altura, lembrou-se de a mãe lhe ter contado sobre
o irmão desaparecido e decidiu arriscar. Se fosse uma coincidência, poderia ter
deitado tudo a perder, mas não foi isso que aconteceu. Coincidência foi ficar
no mesmo edifício do seu irmão. A conversa que teve com ele confirmou as suas
expectativas. Seria Vilsa a eliminar o Líder Supremo e a introduzir na génese
da Omnipotente Inteligência as dez questões fundamentais.
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